Cinema e TV

Aquaman – Crítica

Por Jaderson Henrique

 

Após amargar alguns fracassos de crítica e de público, James Wan abraça o clichê e entrega um filme de leve e aventuresco.

A DC/Warner parece estar presa em uma maldição depois da trilogia de Christopher Nolan que trouxe produtora bilhões em bilheteria e agradou tanto a crítica quanto os fãs mais radicais. A empresa parecia não conseguir emplacar mais nenhum sucesso.

Zack Snyder, foi o escolhido para dar vida a nova fase da DC, que assim como sua concorrente, a Marvel, queria um universo compartilhado. Como não poderia ser diferente o herói escolhido para dar o ponta pé inicial nesse projeto foi o Superman, o maior e talvez o mais icônico dos heróis. Acontece que assim como Nolan, Snyder resolveu apostar no “se isso acontecesse no mundo real” e não só isso. A ideia do “sombrio e Realista” que pairava sobre a produtora foi algo que também pesou nesse novo mundo que os olhos de Snyder via.

Homem de Aço de 2013, chegou aos cinemas e apesar de não atingir o sucesso esperado passou bem longe do fracasso. Gerou muita polêmica na época por romper totalmente com o superman criado por Richard Donner em 1978, subvertendo até a clássica cueca vermelha por cima da calça azul do personagem e recusando-se a utilizar o maravilhoso tema criado por John Williams, também marca registrada do personagem. E claro, não poderia faltar a visão triste e melancólica do personagem.

O problema maior aconteceu quando chegou aos cinemas Batman vs Superman em 2016. O filme causou uma verdadeira cisão entre os fãs e sofreu duras críticas por seu roteiro confuso e lento. O filme também não foi um fracasso nas bilheteria mas esperava-se que BvS passasse da casa do bilhão, uma vez que eles tinham juntado os dois maiores heróis da casa e isso não aconteceu. Depois disso, a DC começou a sofrer uma forte pressão por parte dos fãs que queriam bons filmes. Os empresários começaram a pressionar Snyder que era o responsável pelo novo universo criado.

A preocupação em agradar o público era tão grande que Esquadrão Suicida que foi lançado meses depois ainda no mesmo ano passou por diversas regravações para mudar o tom do filme e acrescentar mais cores, uma vez que as saturação dos filmes do Snyder sempre em tons de preto, cinza e um amarelo amarronzado era um dos pontos mais criticados também. O resultado foi catastrófico, o filme se tornou um dos piores do ano, sendo duramente criticado pela crítica especializada, pela monstruosidade  apresentada em tela. Contudo, também não se saiu mal nas bilheterias.

O respiro de alivio veio com ela Mulher Maravilha de 2017. Patty Jenkins e Gal Gadot fizeram do filme não só um dos melhores da DC mas também, elevaram uma mulher ao status de heroína, no universo cinematográfico onde a grande maioria dos heróis até então, eram do gênero masculino. O filme é claro, foi um grande sucesso de crítica e de público, sendo um ponto decisivo para a empresa: o afastamento de Zack Snyder do comando desse projeto.

O diretor que estava filmando Liga da Justiça, após uma tragédia familiar “resolveu” se afastar da direção do filme e foi substituído por Joss Wedon que finalizou o filme após regravações significativas. O resultado foi um impressionante orçamento de R$ 300 milhões contra uma bilheteria de R$ 657, 9 ao redor do mundo. uma dos maiores prejuízos da história. Fora a chuva de críticas merecidas por um filme genuinamente ruim.

E é aqui que entra o nosso herói aquático. Desesperados os empresários entregaram tudo nas mãos de quem estava indo bem. A Patty Jenkins continuou a frente de Mulher Maravilha, o novo filme do Batman e do Flash caíram no esquecimento e a direção de Aquaman caiu no colo de James Wan, um diretor de terror e havia dirigido também um dos filmes da Franquia velozes e Furiosos. Todos com excelentes desempenhos nas bilheterias. E pelo visto, deu certo.

No filme Arthur Curry, o filho mestiço de uma rainha de Atlântida e um humano normal, precisa voltar para sua terra e reivindicar o trono de seu irmão que quer declarar guerra a população da superfície por estar poluindo os mares.

Acreditar na direção do James Wan foi uma das melhores decisões já tomadas, pelos executivos da Warner. O filme trás uma premissa básica de jornada do herói, onde o protagonista reluta em aceitar o seu destino mas, acaba sendo induzido a aceitá-lo em prol de um bem maior. O filme é leve, aventuresco e bem filmado. Visualmente lindo e bem acabado. Os figurinos são extremamente fieis aos quadrinhos.

O roteiro é simples, cheio de frases de efeito e cenas clichês que são muito bem exploradas e nitidamente abraçadas pela trama. Que dosa magistralmente os momentos de ação comédia e tensão.

Destaque para a direção do James Wan, que faz uma trabalho de câmera absurdo, uma vez que 80% do tempo, os personagens estão embaixo d´água. Todas as lutas e cenas de ação acontecem sem pressa, sem câmera tremida e muitas vezes sem cortes. Podemos ver exatamente o que está acontecendo e mais, a câmera trabalha nesses momentos de luta num modo 360°, girando fluidamente em todos os ângulos ao redor dos atores dando a impressão de fluidez da água.

Os vilões, tem suas motivações bastante pertinentes e são ameaçadores na medida certa. O elenco é extremante funcional, não se perde tempo com personagens irrelevantes. Aqui, todos os personagens são importantes para a trama seguir, apesar de alguns não terem tanto tempo de tela. O Patrick Wilson que faz o vilão e irmão do Aquaman está ótimo; a Nicole Kidman, rainha Atlanna e mãe do Aquaman como sempre está muito bem. Só quem não está tão bem, apesar da importância de sua personagem, Mera, é a Amber Herad. Em compensação o Jason Momoa, esbanja o carisma de sempre e emprega a sua personalidade ao personagem e isso não é ruim não, num todo, filme termina funcionando muito bem.

Enquanto ponto negativo, posso citar a falta de uma trilha sonora marcante e um tema forte para o personagem. O segundo ato que fica um pouco moroso, justamente pela falta de química entre o Momoa e Heard, que sim, formam um par romântico no segundo ato, porém não convencem muito. Talvez se o filme fosse um pouco mais curto a experiência seria muito melhor.

Aquaman é um filme divertido, que abraça a breguice, assumindo clichês, fantasia e aventura. E nos entrega um filme extremamente equilibrado, bem dosado.

Preocupado com os detalhes mas sem esquecer do que é essencial em um filme: contar bem uma boa história.

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Fei Ting

Budista, espírita, católica, pisciana ao avesso, supersticiosa, amante da gastronomia e publicitária por acidente.

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